Dia 17 de
abril de 2013, São Paulo e Atlético Mineiro duelam pela primeira fase da
Libertadores 2013.
O tricolor
paulista joga a vida na competição, enquanto os mineiros já estão classificados
com a melhor campanha.
O jogo é
pegado, muita marcação, o São Paulo com muita vontade, ganhando todas as
divididas. Poucas oportunidades de gol. São 22 jogadores disputando a bola como
um prato de comida. Muita vontade, coisa que não pode faltar em qualquer
agremiação esportiva, sem dúvida.
Lá pelos 40
minutos do primeiro tempo, me pergunto, nosso futebol é só isso atualmente?
Parece que
a reposta de minha própria pergunta é evidente. Vontade! Garra! Carrinho!
Torcida Vibrando com tudo isso!!!
Um jogador
dentre os 22 outros, Ganso, habilidoso e inteligente camisa 8 do tricolor
paulista, também está aguerrido. Lutando, roubando bolas. Todos da imprensa, da
torcida, desde sua volta de contusão aos gramados, cobram essa atitude. Ouviu
recentemente de seu ex-técnico Muricy Ramalho, que não poderia viver só de
passes. Precisa ser mais ativo. O futebol mudou.
Concordo em
partes. Minhas razões estarão mais a frente.
Voltando ao
jogo. Segundo tempo, e o São Paulo consegue marcar de pênalti seu primeiro gol.
Rogério Ceni, o líder do time, bate e faz São Paulo 1 x 0.
O jogo
continua pegado!! O Atlético tentando achar um gol, em bolas alçadas para seus
bons cabeceadores. O São Paulo, continua a briga pela bola, levando quase
sempre a melhor nas divididas. Ótimo para seu torcedor que vibra a cada bola
ganha, o prato de comida.
Por volta
dos 35 minutos, Ganso, em lance didático de como um meia deve atuar, recebe de
costas, gira rapidamente livrando-se de Pierre, seu marcador implacável. Após o
giro, com a força exata, enfia a bola para Osvaldo, o atacante arisco tricolor.
Osvaldo não precisou nem mudar a passada, a bola estava no jeito para dar mais
um toque e cruzar para achar Ademílson livre para fazer São Paulo 2 x 0. Fim de
papo. São Paulo classificado para as oitavas da Libertadores.
Toda a luta,
a força exercida pelo São Paulo foi válida. Mas, o lance de Ganso valeu o
jogo!!! Parece simples, mas não é. Traduz a essência de um meia armador. A
diferença dele para os outros é enorme quando se trata de aplicar a força
correta ao passe, a precisão, o toque na hora certa.
Meu ponto
de vista como admirador do jogo, comparando-o aos outros jogadores, é que ele
joga outro jogo. Não estamos mais acostumados a isso. Infelizmente queremos
garra, raça, força para colocar o adversário dentro do seu próprio gol. Já está
no nosso inconsciente esse novo jogo de força. Ele joga sem força, no jeito.
É como os
jovens de hoje quando escutam Funk. Sem preconceito as pessoas que tocam,
cantam e escutam o Funk brasileiro, mas, é evidente que é um estilo musical
extremamente simples, com apenas uma batida, de melodia quase que única, e
linguajar simples e do povo. O que a maioria da população pode compreender e se
divertir.
Se o jovem
de hoje escuta uma música mais trabalhada, com letras um pouco mais complexas,
ele não entende. Não foi treinado (muitas vezes não teve acesso ao estudo) para
entender.
Ganso, para
mim, é um solista da música. Pode escolher. Poderia ser um violinista, um
pianista clássico, ou até mesmo um guitarrista de rock progressivo. Sabe mais
do que a maioria. Sabe tudo do jogo.
Hoje, a
maioria não o compreende. É o Solista no meio do Baile Funk.
Ele sabe
disso, está tentando mudar, para se adaptar, e ser mais atual, mais pop.
Para mim,
ele deve continuar evoluindo, chegando mais na área, chutando mais à gol,
ajudando um pouco a fechar espaços do time adversário, claro. Porém, o que
melhor ele possui, o passe e o toque, deveria ser exemplo dentro dos
treinamentos, e ele deve ensinar aos outros. Seriam alguns acordes e melodias
novas aos outros jogadores. O jogo está precisando disso. Sei que são úteis,
mas já estamos cansados de jogadores que se comparam aos MCs do Funk, isto é, não importa a música (ou jogo) já sabemos o que eles podem nos apresentar.
Será que a torcida, os técnicos, as pessoas do meio do futebol, não deveriam tentar melhorar um pouco o jogo? Entender mais esses solistas? Existem mais solistas na base dos clubes e não são aproveitados? Ou será que é mais fácil para os técnicos trabalhar somente com os MCs?
Ney Franco
e os jogadores do São Paulo, estão começando a entender seu solista. E um
ensinando o outro, fica mais fácil. O futebol agradece.
Novamente, o
futebol de Ganso precisa e deve melhorar. Ele sabe disso e mira a Copa de 2014.
O passado,
a essência da bola pode ajudá-lo. Um dos grandes meias do passado, Pita, do
Santos e depois São Paulo, está trabalhando na base do tricolor paulista
novamente. Dizem que tem dado conselhos à PH Ganso. Tomara!!!
PH Ganso, jovens jogadores, e amantes do futebol, vejam o que Edivaldo Oliveira Chaves, o
Pita, fez nas suas passagens por Santos e São Paulo na década de 70 e 80. Entrevista
dada à TV Cultura. Abra o link abaixo.
Como disse,
esse foi um dos exemplos do passado, um dos nossos melhores maestros da década de 80. Poderíamos
falar de outros como Zizinho, Gerson, Ademir da Guia, e tantos outros que perderia a
conta. Hoje, infelizmente um maestro é raro de se ver, e muitas vezes é incompreendido
pelo meio já degradado.