segunda-feira, 22 de julho de 2013

SPFC - Entidade Perto da Falência Operacional

No post anterior, descrevi meu descontentamento com o jogo da primeira final da Recopa Sulamericana de 2013, entre São Paulo e Corinthians, jogo realizado no Morumbi. Ficava aquela dúvida de como melhorar o futebol, o jogo, e se o futebol brasileiro havia melhorado apenas com a seleção brasileira. Quarta-feira passada, dia17/Julho/2013, tivemos o segundo jogo no Pacaembu, entre Corinthians e São Paulo, e por sorte dos que gostam do jogo, ele foi tecnicamente muito melhor que o primeiro, principalmente para o Corinthians que ganhou o jogo (2 x 0) e título da Recopa. O time se portou bem, abafou o São Paulo quando necessário, e em duas chances de gols definiu o placar e título.
Mas, o que mais me chamou atenção, além do futebol coeso e pragmático corintiano, foi a tamanha falta de esperança são-paulina. Digo isso, pois em 10 minutos de jogo, eu percebi que o São Paulo, mesmo precisando do resultado, não ganharia a partida de jeito nenhum. Você pode se perguntar, esse cara é louco, tem bola de cristal? Não. Apenas pela atitude dos 11 jogadores são-paulinos isso estava evidentes. Todos os 11 jogadores pareciam não acreditar que poderiam vencer o time adversário, seja ele qual fosse. E amigo boleiro, em qualquer atividade humana, principalmente uma atividade profissional esportiva, se você não acredita, não há milagre que faça acontecer o contrário. Nem mesmo no futebol, o esporte considerado “uma caixinha de surpresa” e o esporte mais democrático, já que nem sempre o melhor vence.
Para o São Paulo atual, sem fé na sua própria capacidade, sem alma, nem mesmo o “Sobrenatural de Almeida”, fictício personagem de Nelson Rodrigues, ajudaria o time a vencer seus adversários.
Descobrir o que ocorre dentro do São Paulo Futebol Clube hoje é uma tarefa das mais árduas. Mesmos para os melhores policiais ou repórteres investigativos. Mas o sintoma de falta de esperança, vontade e fé é evidente. Justamente o clube que já foi denominado o “Clube da Fé” no passado. E esse comportamento ocorre com os jogadores da equipe, que justamente poderiam mudar essa situação.
Vou hipoteticamente tentar analisar a entidade esportiva, como uma empresa, já que ela deveria ser assim. Infelizmente no Brasil, a nossa legislação não obriga os clubes a se tornarem empresas, o que dificulta o controle fiscal e financeiro dos mesmos, e gera mais margem para administrações sem transparência, corrupção, e entrada de dinheiro ilegal ao meio. Esse é um ponto a ser discutido em outro post.
Acho que em qualquer instituição privada, seja ela de qualquer ramo, se os membros operacionais perdem a esperança e não acreditam mais no que está sendo realizado, o futuro reservado a empresa é a falência. E geralmente a falta de esperança dos funcionários ocorre quando repetidos erros são realizados pelo alto escalão da empresa. Sabe aquela sensação de que qualquer que seja a situação, os chefes sempre adotarão a mesma postura? As mesmas desculpas? As mesmas atitudes de tiram o corpo fora, não assumirem o compromisso de mudança real, de ajuda ao grupo operacional? Se alguém já trabalhou em empresa, seja ela de “fundo de quintal” até grandes multinacionais, e passou por isso, sabe a sensação que estou tentando traduzir. A falta de esperança na mudança para um caminho certo. E quem não tem esperança e fé, não persevera. E quem não persevera não alcança resultado.
Pode ser que as atitudes do atual presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, resumem o que tento descrever no dia-a-dia de uma empresa em dificuldades operacionais. Diante de problemas sérios, ele nunca tem culpa. Adota uma postura petulante e pernóstica. Isso só faz com que seus comandados não acreditem mais na instituição São Paulo Futebol Clube. Nos últimos anos, além das suas “pataguadas” em relação ao elenco e comissões técnicas, ele simplesmente começou a desmontar a até então invejável estrutura do departamento de futebol. Profissionais de alto nível, como Turíbio e Carlinhos Neves, foram dispensados. O clube modelo foi sendo desmontado pouco a pouco.
Imaginem os jogadores e comissão técnica olhando isso lá de dentro? Olhando suas entrevistas  com total falta de racionalidade. Cada um se perguntando: esse aí é o nosso líder, nosso presidente? Sempre se esquivando das responsabilidades?
Um clube com patrimônio invejável, com história de títulos, e que já teve pessoas de extrema capacidade, sendo agora liderada por um senhor com grande dificuldade de enxergar a realidade, com atitudes ditatoriais. Suas entrevistas comprovam isso. Não sou eu quem estou dizendo. Vendo sua última entrevista coletiva na apresentação de Paulo Autuori, tive a sensação de que Juvenal vive em um mundo paralelo. Vendo seus adversários melhorarem e fazerem o caminho inverso. Mesmo caminho pioneiramente já realizado pelo próprio São Paulo, há pelo menos duas décadas atrás.
Pegou a herança de Marcelo Portugal Gouveia, homem íntegro e simples, que deixou o clube Campeão Mundial, com o mesmo Autuori recontratado agora. Pegar uma boa herança política e operacional, não significa caminho de sucesso e menos trabalho. Você já viu essa mesma situação na política brasileira? Será mera coincidência? Acho que não. Infelizmente a maioria de nossos líderes são preguiçosos e tentam aproveitar a onda de seus antecessores. Quando era apenas diretor, Juvenal ainda era “controlado” por Marcelo Portugal Gouveia. Quando Gouveia faleceu, infelizmente, passou a mandar e desmandar, sem freios e sem racionalidade.
Para o time do São Paulo, agora resta muito trabalho ao Autuori para mudar o comportamento dos seus comandados. Eles precisam voltar a acreditar. Boa sorte, Paulo. Você vai precisar, ou será novamente tratado como mais uma desculpa do atual presidente, pelos futuros fracassos do clube em campo.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Será que o Sonho já acabou?

Permitam-me fazer a brincadeira entre o título deste post e do post anterior.
No anterior, "Será o Renascimento?", falei sobre o possível renascimento do futebol de qualidade do Brasil, com as últimas apresentações da Seleção na Copa das Confederações.
Neste post, após 24 horas, acabei de ver um São Paulo x Corinthians pela primeira final da Recopa Sul-Americana.
Sofrível ! Que jogo ruim !. Truncado. Ruim de ver. Só valeu pelo golaço do Renato Augusto, encobrindo o já cansado Rogério Ceni.
Será que o sonho já acabou? Mas por que?
Como já falei, essa discussão sobre o nível ruim de nossos times brasileiros é muito longa. Vai além da análise do gramado. Teremos outras oportunidades para discutir o extra-campo.
Mas, olhando o jogo de hoje, o do gramado, tenho que deixar minha análise e minhas primeiras conclusões.
Os dois times possuem sistema tático definido? Sim, possuem.
O Corinthians, é mais organizado, e por estarem juntos há mais tempo, as coisas funcionam melhor. Não é à toa que ganhou a partida, mesmo jogando mal.
Os times tentam jogar de forma compacta, como todos os times modernos europeus? Sim, tentam.
E por que o jogo fica tão ruim?
Minha primeira impressão é simples.
O jogo hoje é muito rápido, e como já dito, muito compacto, sem espaços. Se não houver competência no passe, não tem jogo.
A maioria dos nossos jogadores, infelizmente não possuem o fundamento básico do futebol. O bom passe (para quem não viu, veja um post anterior do Essência com a entrevista do Telê).
No jogo de hoje, por exemplo, os quatro volantes que jogaram, dos dois times, erraram muitos passes. Fica difícil ter um jogo que flui, com lances de gols. É um verdadeiro perde e ganha.
Na seleção, temos os melhores, por isso temos qualidade. Nos times brasileiros, nem sempre temos qualidade sobrando. Apenas alguns bons jogadores jogam aqui, como Danilo, Renato Augusto e Guerreiro pelo Corinthians. Ganso, Jadson e Osvaldo pelo São Paulo. E esses caras, no meio de tanto cabeça de bagre, não fazem milagre. São capazes de alguns lances diferenciados, como o gol do Renato Augusto, já comentado.
Tá duro de assistir essas peladas!!!!
Que para a segunda final da Recopa daqui 15 dias, os dois times sejam mais eficientes no passe, para que tenhamos jogo.
Temos que treinar passe, professor !!!!!
Para que continuemos sonhando com o renascimento.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Será o Renascimento?

No domingo passado, em pleno Maracanã, a seleção brasileira de futebol deu sinais de renascimento ao povo brasileiro.
Nos últimos 10 anos, a seleção não passou de um time de alguns bons milionários que entravam em campo para expor sua marca, ou seja, a imagem de cada um deles, com objetivos pessoais como um contrato com uma marca esportiva, chuteira, ou mesmo com um novo clube. Ganhar ou perder, era apenas um detalhe.
Além disso, o jogo político e econômico fora dos gramados, os bastidores da CBF, influenciava técnicos, convocações e jogos em inusitados gramados. Quem não lembra do jogo contra o Gabão? Não faz tanto tempo assim.

Agora o grupo de Felipão, ele de novo, o último campeão mundial com essa mesma seleção em 2002, está renascendo e achando o bom futebol.
Ganhamos da temível Espanha, com um sonoro 3 x 0, sem ouvir nem sequer um tic-tac.
Ainda é muito cedo para um favoritismo na Copa de 2014. Porém, agora temos certeza que o time irá competir de igual para igual contra a própria Espanha, a renovada e poderosa Alemanha, e a eterna rival Argentina. Só não podemos cair na armadilha do salto alto. E acredito que Felipão sabe muito bem disso.

No domingo passado, na minha opinião, ganhamos por alguns motivos:

1) Ainda possuímos grandes talentos como Neymar e Oscar, um fazedor de gols como Fred, um grande zagueiro como o Thiago, um bom goleiro como Julio Cesar e outros bons jogadores como Paulinho, Hernanes e Luiz Gustavo.
2) Porque o time se entregou demais, marcou a Espanha sob pressão, e disputou todas as bolas até o minuto final.
3) Pois achamos uma forma de jogar taticamente, que joga e combate o adversário, com a maioria dos nossos jogadores.
4) Tivemos foco, do minuto inicial ao final. E esse foco nos deu o gol de Fred logo aos 2 minutos, praticamente "matando" os espanhóis.
5) Tudo deu certo em lances capitais dessa final, como a tirada em cima da linha, de canela,  do David Luiz, e o pênalti perdido por Sérgio Ramos. Aliás, zagueiro batendo pênalti no tempo normal? Algo errado com o time espanhol. Com Xavi e Torres como batedores, justo o Sergio Ramos foi bater? Não temos nada com isso. Esse problema foi do Vicente Del Bosque. Obrigado!

Não podemos deixar de salientar o trabalho do Felipão e comissão técnica.
Que ele é bom para formar grupos, unir o time, todo mundo já sabia.
Porém, eu mesmo não acreditava que ele seria capaz dessa transformação do time. Achava um cara superado, ultrapassado. Provou que está olhando o futebol moderno, e está aplicando com as nossas melhores opções.
Na minha opinião, o ponto crucial foi a convocação. Ele convocou as melhores opções em cada posição. Você pode discordar de um ou outro jogador, mas em sua maioria ele acertou.
Hoje, tem opções para variar o jeito do time jogar. E claro, ainda há muito o que melhorar. Principalmente as laterais, que considero os dois pontos fracos. Não confio no Marcelo, apesar de ser um jogador habilidoso. É o único jogador que ainda pensa individualmente. Prova disso foi o cruzamento não realizado por ele, depois de grande jogada coletiva, onde deixaria o Fred, sem goleiro, de cara com o gol. Como um bom individualista e até certo ponto "mascarado", Marcelo tentou o gol, em chute sem ângulo, justo em cima do grande goleiro Iker Cassillas. Viajou, né?.
E o Daniel Alves é limitado, apenas isso, para não dizer acanhado intelectualmente.

E, novamente, o último ponto do renascimento a destacar é o foco.
Em nenhum momento o time perdeu a concentração. Fez gols nos momentos decisivos. Isso não acontece à toa. É concentração, seriedade e trabalho.
Um dos exemplos de mudança que me agradou nesse aspecto, foi Neymar.
Fez gols, no primeiro e último minuto de tempo. Fez jogadas individuais, tabelas e ajudou a marcar fazendo até muitas faltas (precisa melhorar nesse aspecto). Mas o que mais me deu alegria, foi vê-lo comemorar os gols saltando, abraçando os companheiros, e até indo para a galera.
Chega daquela "babaquice" de comemorar o gol sozinho fazendo coreografia de "eu quero tchutchatcha", de "leleque-leque". Isso é rídiculo no futebol. É individualismo. É ser marqueteiro, se preocupar com a própria imagem, como salientei no início do post sobre jogadores que passaram pela seleção nos últimos anos.
Parabéns Neymar pela evolução do futebol e comportamento coletivo. Parabéns ao Felipão, que com certeza tem o dedo nisso.
Parabéns ao futebol da seleção!!!
O futebol brasileiro dá sinais de renascimento, com essa nova seleção. Porém, internamente, em seus clubes e categorias de base precisa melhorar muito. Precisamos massificar esse renascimento do futebol bem jogado. Fácil não é. Mudanças maiores são necessárias. Mas é possível.
Isso com certeza será tema em outros posts do Essência da Bola.