No post
anterior, descrevi meu descontentamento com o jogo da primeira final da Recopa
Sulamericana de 2013, entre São Paulo e Corinthians, jogo realizado no Morumbi.
Ficava aquela dúvida de como melhorar o futebol, o jogo, e se o futebol
brasileiro havia melhorado apenas com a seleção brasileira. Quarta-feira passada, dia17/Julho/2013, tivemos o segundo jogo no Pacaembu, entre Corinthians e São
Paulo, e por sorte dos que gostam do jogo, ele foi tecnicamente muito melhor
que o primeiro, principalmente para o Corinthians que ganhou o jogo (2 x 0) e
título da Recopa. O time se portou bem, abafou o São Paulo quando necessário, e
em duas chances de gols definiu o placar e título.
Mas, o que
mais me chamou atenção, além do futebol coeso e pragmático corintiano, foi a
tamanha falta de esperança são-paulina. Digo isso, pois em 10 minutos de jogo,
eu percebi que o São Paulo, mesmo precisando do resultado, não ganharia a
partida de jeito nenhum. Você pode se perguntar, esse cara é louco, tem bola de
cristal? Não. Apenas pela atitude dos 11 jogadores são-paulinos isso estava
evidentes. Todos os 11 jogadores pareciam não acreditar que poderiam vencer o
time adversário, seja ele qual fosse. E amigo boleiro, em qualquer atividade
humana, principalmente uma atividade profissional esportiva, se você não
acredita, não há milagre que faça acontecer o contrário. Nem mesmo no futebol,
o esporte considerado “uma caixinha de surpresa” e o esporte mais democrático, já
que nem sempre o melhor vence.
Para o São
Paulo atual, sem fé na sua própria capacidade, sem alma, nem mesmo o
“Sobrenatural de Almeida”, fictício personagem de Nelson Rodrigues, ajudaria o
time a vencer seus adversários.
Descobrir o
que ocorre dentro do São Paulo Futebol Clube hoje é uma tarefa das mais árduas.
Mesmos para os melhores policiais ou repórteres investigativos. Mas o sintoma
de falta de esperança, vontade e fé é evidente. Justamente o clube que já foi
denominado o “Clube da Fé” no passado. E esse comportamento ocorre com os
jogadores da equipe, que justamente poderiam mudar essa situação.
Vou
hipoteticamente tentar analisar a entidade esportiva, como uma empresa, já que ela
deveria ser assim. Infelizmente no Brasil, a nossa legislação não obriga os
clubes a se tornarem empresas, o que dificulta o controle fiscal e financeiro
dos mesmos, e gera mais margem para administrações sem transparência,
corrupção, e entrada de dinheiro ilegal ao meio. Esse é um ponto a ser
discutido em outro post.
Acho que em
qualquer instituição privada, seja ela de qualquer ramo, se os membros
operacionais perdem a esperança e não acreditam mais no que está sendo
realizado, o futuro reservado a empresa é a falência. E geralmente a falta de
esperança dos funcionários ocorre quando repetidos erros são realizados pelo
alto escalão da empresa. Sabe aquela sensação de que qualquer que seja a
situação, os chefes sempre adotarão a mesma postura? As mesmas desculpas? As
mesmas atitudes de tiram o corpo fora, não assumirem o compromisso de mudança
real, de ajuda ao grupo operacional? Se alguém já trabalhou em empresa, seja
ela de “fundo de quintal” até grandes multinacionais, e passou por isso, sabe a
sensação que estou tentando traduzir. A falta de esperança na mudança para um caminho
certo. E quem não tem esperança e fé, não persevera. E quem não persevera não
alcança resultado.
Pode ser
que as atitudes do atual presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, resumem o
que tento descrever no dia-a-dia de uma empresa em dificuldades operacionais.
Diante de problemas sérios, ele nunca tem culpa. Adota uma postura petulante e pernóstica.
Isso só faz com que seus comandados não acreditem mais na instituição São Paulo
Futebol Clube. Nos últimos anos, além das suas “pataguadas” em relação ao
elenco e comissões técnicas, ele simplesmente começou a desmontar a até então
invejável estrutura do departamento de futebol. Profissionais de alto nível, como
Turíbio e Carlinhos Neves, foram dispensados. O clube modelo foi sendo
desmontado pouco a pouco.
Imaginem os
jogadores e comissão técnica olhando isso lá de dentro? Olhando suas
entrevistas com total falta de racionalidade.
Cada um se perguntando: esse aí é o nosso líder, nosso presidente? Sempre se esquivando
das responsabilidades?
Um clube
com patrimônio invejável, com história de títulos, e que já teve pessoas de
extrema capacidade, sendo agora liderada por um senhor com grande dificuldade
de enxergar a realidade, com atitudes ditatoriais. Suas entrevistas comprovam
isso. Não sou eu quem estou dizendo. Vendo sua última entrevista coletiva na
apresentação de Paulo Autuori, tive a sensação de que Juvenal vive em um mundo
paralelo. Vendo seus adversários melhorarem e fazerem o caminho inverso. Mesmo
caminho pioneiramente já realizado pelo próprio São Paulo, há pelo menos duas
décadas atrás.
Pegou a
herança de Marcelo Portugal Gouveia, homem íntegro e simples, que deixou o
clube Campeão Mundial, com o mesmo Autuori recontratado agora. Pegar uma boa
herança política e operacional, não significa caminho de sucesso e menos
trabalho. Você já viu essa mesma situação na política brasileira? Será mera
coincidência? Acho que não. Infelizmente a maioria de nossos líderes são
preguiçosos e tentam aproveitar a onda de seus antecessores. Quando era apenas
diretor, Juvenal ainda era “controlado” por Marcelo Portugal Gouveia. Quando Gouveia
faleceu, infelizmente, passou a mandar e desmandar, sem freios e sem
racionalidade.
Para o time
do São Paulo, agora resta muito trabalho ao Autuori para mudar o comportamento
dos seus comandados. Eles precisam voltar a acreditar. Boa sorte, Paulo. Você
vai precisar, ou será novamente tratado como mais uma desculpa do atual presidente,
pelos futuros fracassos do clube em campo.