quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Dia em que Tomamos de 7

Queridos boleiros, após dois dias de digestão, estou aqui para falar da derrota acachapante e histórica por 7 x 1 sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha, na semifinal da Copa 2014.
Conversei com meu pai, meu irmão, meus amigos, li muitos blogs e colunas de jornalistas. Todos comentando, falando, refletindo sobre o futebol brasileiro. Quem gosta desse esporte, deve fazer isso mesmo. É duro aceitar essa derrota e não ficar indignado, ainda mais da maneira como ela foi, humilhante.
Primeiro, falarei sobre o grupo da seleção, seu técnico, e o conceito de jogo desse time.
Sobre o campo, tenho alguns comentários. 
Muito se falou, e concordo com quase 99% do que estão falando os comentaristas esportivos. A tática (ou falta dela) suicida que o Felipão adotou contra a Alemanha, determinou essa vexatória derrota.
Mas, quero salientar que esse foi o último ato errôneo e de desespero de Felipão.
Ele é ruim faz muito tempo. Na verdade, nunca foi bom. Acho que somente os gremistas, por ufanismo e conceitos caudilhistas, gostam dele. Ele é ultrapassado desde que se lançou no futebol com o Criciúma. Com todo o respeito, não deveria ter deixado a profissão de professor de educação física. A entrevista coletiva dele após a derrota para Alemanha, foi digna de treinador da extinta Copa Danup (torneio colegial entre escolas paulistanas). Beirou o amadorismo.
No futebol, um time deve ter um conceito de jogo. Alguns times, menos privilegiados de técnica, tem conceitos defensivos, mas o fazem muito bem. Outros, se retraem e saem em contra ataque. Cada um faz o que supostamente há de melhor, aproveitando as melhores características de seus jogadores. Isso não é novidade pra ninguém.
Felipão errou ao adotar um time com o conceito da intensidade. Esse mesmo time que tomou 7 gols da Alemanha, jogou com intensidade ao ganhar da Espanha na medíocre Copa das Confederações, competição que os europeus jogam quando estão de férias, e dão pouquíssima importância. Aquela vitória o cegou. Comentei aquele jogo aqui no blog, e acho que eu mesmo superestimei esse time. A pior geração depois do time de 1990, do lunático e desprezível Lazaroni.
A convocação, apesar de poucas opções, já que vivemos uma escassez de bons talentos, foi baseada em jogadores com essa tal intensidade (odeio essa palavra no futebol). Ou seja, jogadores com técnica razoável, mas que correm com a bola. Não pensam o jogo. Pegam a bola e correm. Quantas viradas de jogo você viu o time brasileiro na Copa inteira? A jogada começava na direita e terminava na direita. Isso é ridículo. Jogo de criança da categoria "fraldinha".
Deu no que deu. No momento em que tomamos sufoco até de Camarões, não haviam opções para mudar esse conceito. O único, e não utilizado, com características um pouco distintas, pois pensa mais, é Hernanes. Outro bom jogador, mas que sofreu lavagem cerebral, foi Oscar. Oscar virou marcador de laterais de times adversários. Fantástico isso, não?
E outro ponto crucial que Felipão errou bisonhamente. Acreditou que laterais horrorosos como os nossos, fossem decidir jogos. Eu já havia comentado isso no post anterior. Esses caras (laterais) acabaram com o time, já que jogadores de meio-campo tinham que sofrer e marcar, pois os nossos monumentais laterais tinham que jogar mais "soltos". Desde quando lateral decidi jogo? Lateral é apenas uma válvula de escape, uma ferramenta para chegar pelos lados. Claro que são importantes, mas não tão importantes como os meio campistas. Esses, Felipão pouco liga. Pergunte ao craque Alex (Coritiba, Palmeiras e Fenerbahce) o que ele acha de Felipão? 
Aliás, Felipão faz questão de mudar a característica deles, como mudou Oscar, ao invés de adaptar o time para aproveitar o talento de um bom meio campista. O erro de Oscar foi ter aceitado. 
Ao contrário de tudo isso, os alemães passearam pelo meio de campo, tomaram conta, com técnica, tática, habilidade, força mental e física. 
O que eles fizeram demais? 
Apenas, uma belíssima preparação, tiveram foco, e estão jogando o futebol simples. Para alguns mecânico.
Como eu disse em meu primeiro post do Essência, eles adotaram o magnífico e simples conceito do "vermelho e preto, toca para o vermelho e preto". E assim chegaram 12 ou 13 vezes em nossa área, do jeito que queriam, fazendo 7 gols. Dizem até que no segundo tempo eles pararam para não ficar pior para a seleção canarinha.
Por que queremos complicar o que é simples? 
Pergunte aos nossos queridos técnicos de futebol, que dentro de campo estão acabando com o nosso futebol faz 10 anos ou mais. Todos iguais. Alguns apenas mais simpáticos que Felipão, o que não é difícil.
Segue link da ESPN (disparada a melhor cobertura jornalistica da Copa) chamado "o fim do sonho do hexa". 
Ajuda a refletir e relembrar porque chegamos ao ponto que chegamos.


Fora de campo somos ainda mais lamentáveis.
Pouco falarei sobre a parte política do nosso futebol. Falarei pouco, pois colocarei um link com o desabafo de Romário sobre quem manda no nosso futebol. 
Como ele mesmo diz e eu ratifico, a explicação toda não está nos nossos jogadores que são apenas o fim da linha, mas está nos bandidos e corruptos que tomam conta do futebol brasileiro.
São eles: dirigentes da CBF, presidentes e diretores de clubes e empresários de futebol (não todos, mas a maioria).
A mudança é possível, mas, será difícil. A quem interessa essa mudança? 
Até antes dos 7 x 1, a ninguém. 
Agora, esperamos que mídia, jornalistas, ex-jogadores, possam criar clima favorável a mudança. E que leis e regras sejam impostas à CBF e clubes. Essas entidades precisam virar empresas. Precisam pagar impostos, como qualquer pequena empresa paga. Precisam ser rastreadas. Hoje, o futebol é sujo pois todos querem assim. Do presidente da república ao diretor e empresário de futebol. Todos não estão de graça nessa estória.
Segue link com o desabafo de Romário.






segunda-feira, 30 de junho de 2014

O Brasil na Copa. Até quando?

Este blogueiro volta a falar, depois de algum tempo.
Depois de alguns meses quieto, vendo a incompetência do nosso governo em organizar o evento Copa do Mundo, escândalos e mais escândalos de corrupção, dinheiro público sendo gasto (R$ 7,8 bi dos cofres públicos apenas em estádios) e por fim saber que a FIFA não pagará nada em impostos sobre seus lucros em nossa terrinha, volto para falar de futebol.
E hoje, falarei sobre a nossa seleção.
Passada primeira fase, em que o time já não jogou bem, veio o jogo contra o Chile.
O time andino veio com um time corajoso, apenas isso. Seu técnico, Sampaiolo, adota às vezes tática que considero quase suicida. 
Dado o nosso histórico contra a Croácia, México e Camarões, todos nós sabíamos que o jogo seria difícil, mas, ninguém imaginava ver o que aconteceu no sábado.
O nosso time, além de muito mal tática e tecnicamente, literalmente se "borrou" quando tomamos o gol de empate.
O gol chileno praticamente foi dado. Marcelo e Hulk parece até que ensaiaram a "pixotada". Marcelo nunca poderia ter cobrado um lateral onde cobrou, com o time todo pressionado e perto da própria área. E Hulk errou a parte técnica da jogada, afinal, técnica não é com ele. Sobra vontade e físico para o medíocre (leia-se mediano) atacante brasileiro, que depois disso até foi um dos melhores do time canarinho.
Depois disso, vimos o time chileno povoar o meio de campo, setor mais importante do jogo, e dominar a partida até o fim da prorrogação, quando perderam gol incrível com a bola batendo no travessão de Júlio Cesar.
O nosso time apenas teve ligação direta, entre a defesa e o ataque, que pouco fazia. Mesmo Neymar, nosso melhor jogador, não conseguiu jogar. Me espantou vê-lo, na prorrogação, solicitar  para Ramirez "apenas uma bola". As câmeras flagraram esse diálogo, sinal que a bola não estava chegando no chão para que ele pudesse, com sua técnica, fazer uma jogada de gol.
Por que nosso meio campo não joga?
Ora, quando atacamos estamos nesse setor com Luiz Gustavo e Fernandinho (antes Paulinho) na parte central, com a função de marcar e sair com a bola. Depois, temos Hulk e Oscar abertos, cada um de um lado. E Neymar mais caído para esquerda, onde gosta, para partir com a bola dominada em diagonal e atingir a área adversária.
Oscar não tem jogado bem (apenas contra Croácia foi bem) e nem tem se movimentado para criar oportunidades. Hulk, como disse acima, é limitado. Muita força, pouca técnica e inteligência. Neymar é a nossa única chance de criação, mas, o jogo fica quase que individual.
Nosso laterais, não tem apoiado bem. Daniel Alves e Marcelo erram muitos passes, atacam pouco, e defendem muito mal. Comprovando que não são os melhores laterais do mundo, como muitos falam. Aliás, minha opinião, que fui lateral amador, não jogam nada. 
Por conta deles, que não atacam e muito menos defendem, Oscar e Hulk são obrigados a defender mais do que deveriam. Sabemos que hoje o jogo mudou muito. Que todos atacam e todos defendem. Mas, não podemos sacrificar dois jogadores de frente para cobrir falhas defensivas de dois laterais. Felipão não muda, e deixa o meio pouco populoso, apenas com dois volantes para correr 1200 metros quadrados (40m x 30m), contra 4 jogadores adversários. Fica impossível para dois volantes, marcar e sair pro jogo, com a defesa e o ataque tão separados. Paulinho já foi mal (não apenas por isso, acho que ele chegou mal fisicamente ao torneio), e Fernandinho, apesar de um pouco melhor, já saiu esgotado no jogo contra o Chile. Fora o número estrondoso de faltas que nossos volantes fizeram, por chegarem atrasados nas bolas de meio. É humanamente impossível jogar nesse meio campo que só Felipão e Parreira enxergam.
O resultado é que não criamos, e estamos deixando o adversário jogar. Até Camarões, um dos piores times do torneio, criou perigo contra nós. Se pegarmos um time mais competente, iremos amargar eliminação em casa. Nem a "intensidade" (palavra do futebol atual, que odeio), que tivemos como sucesso na Copa das Confederações 2013, estamos aplicando.
E o pior, Felipão, Parreira e a CBF, criaram um favoritismo exagerado a nosso favor. A obrigação de vencer em casa. O tiro saiu pela culatra. O que notamos hoje são jogadores nervosos, muito pouco preparados. O time entra em campo, canta o hino nacional e chora. Tenha santa paciência. Chorar antes de enfrentar um adversário, não cabe no esporte. Ainda mais um esporte em que a técnica e a imposição mental sobre o adversário definem o sucesso ou fracasso. Chorar após a vitória, depois de uma conquista com esforço, tudo bem, é natural, é humano.
Outro ponto que tem me deixado, digamos, inconformado (para ser educado) é o excesso de deficientes, grupo de pessoas que perderam casa em tragédias naturais, entre outros, dentro da Granja Comary. E isso é coisa da Globo, do Luciano Huck, do Fantástico, etc. Nada contra essas pessoas, que precisam sim de ajuda e de alegria. Mas, tem hora pra tudo. Os jogadores ficam cada vez mais emocionados, claro. E isso, não ajuda em nada. Só coloca mais peso nas costas desse grupo de jogadores, que se colocam a obrigação de dar resposta e alegria a todas essas pessoas. É claro que isso é uma das funções desse time, mas, não precisa colocar emoção onde não precisa. Por isso, os caras entram em campo e choram. Estão muito pressionados. Está estampado nos rostos de cada jogador. Ou você não percebeu isso antes das penalidades contra o Chile?
Mas, a CBF depende da Globo e vice-versa.
Pelo que li hoje, Felipão está tentando reverter esse quadro emocional depois do jogo contra o Chile. Saiu dizendo que os adversários estão batendo, que a FIFA não quer o Brasil hexa. Ou seja, está criando um inimigo inexistente para chacoalhar o grupo e colocar mais testosterona em campo.
Será que ele vai contra a Colômbia, um time habilidoso e envolvente, com 3 ou 4 volantes, e Neymar e Hulk para jogar por "uma bola", e ganharmos de 1 x 0?
Destruir é muito mais fácil que construir. E não há mais tempo, nem jogadores para isso, afinal, os meias mais inteligentes o Felipão não convocou. O time é esse. E Felipão sabe disso. Ele pode ser turrão, mas burro, acho que não é. Mudar é preciso.
Façam suas apostas, e conversaremos após a partida contra a Colômbia.
Como brasileiro, torcerei muito. Mas, confesso que está difícil.Vamos aguardar.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Morre Eusébio - O Pantera Negra (1942-2014)

Hoje pela manhã morreu Eusébio, o Pantera Negra, jogador português, de origem moçambicana.
Eusébio foi o primeiro jogador de origem africana a despertar interesse dos europeus no início dos anos 60, e o primeiro negro a receber o prêmio da Bola de Ouro na Europa (1965).
Portanto, se hoje, Drogba, Samuel Etto, e outros negros africanos são tão valorizados por clubes europeus de primeira linha, devem muito a esse moçambicano.


Começou no Sporting de Lourenço Marques (atual cidade de Maputo), ainda em Moçambique, quando aos 18 anos, depois de uma disputa entre Sporting Lisboa e Benfica, o jogador foi comprado pelo clube da luz (Benfica).
O atacante encantou os torcedores graças à raça, velocidade, dribles curtos e um chute poderoso.
Pelo Benfica, foram impressionantes 320 gols em 313 partidas oficiais pelo clube.

Amigos boleiros e amantes do futebol, vejam no link abaixo um tributo à Eusébio, o Pantera Negra.


Seu ápice foi a Copa de 1966, quando levou Portugal ao terceiro lugar, eliminando inclusive o Brasil (então bicampeão mundial 58/62) em vitória de 3 x 1 ( dois gols de Eusébio). Na Copa de 1966 foram 9 gols no total.
Outra épica apresentação do Pantera foi na vitória sobre o poderoso Real Madrid na final da Copa dos Campeões de 1962, por 5 a 3, com dois gols de Eusébio. O clube madrilenho tinha nada menos que Di Stefano, Puskas, entre outros.

Seguem alguns número de Eusébio, rapidamente:
Gols: Benfica (320 gols em 313 partidas), Seleção Portugal (41 gols em 64 jogos).
Campeonatos: Campeão Copa Campeões 1962 (Benfica), 11 Campeonatos Portugueses pelo Benfica (1961, 1963, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1971, 1972, 1973 e 1975).

Para os atletas de hoje que preferem os contratos do que os títulos, repensem.

Eu, pessoalmente tive a honra de apertar a mão dessa lenda.
No início de 1992, eu com 14 anos, só pensava em futebol, fui com meu pai Clovito (ou Jabuti para os mais chegados), assistir em uma manhã de sábado aos jogos do Torneio Parmalat.
Na época, a empresa italiana estava entrando no futebol brasileiro com o Palmeiras e o Juventude.
Para promover a sua entrada , a empresa organizou, no Campo de Futebol do Ibirapuera, esse torneiro com Benfica (Portugal) e Parma (Itália), além dos dois clubes brasileiros.
Assistimos aos jogos, e depois como de "praxe", eu e meu pai fomos à porta dos vestiários. Eu queria ver o grande goleiro do Benfica, o belga Preud'homme, que na época era um dos melhores do mundo.
Quando chegamos em frente ao vestiário, Eusébio estava lá. Ele era da comissão técnica do Benfica. Meu pai o cumprimentou e me apresentou, descrevendo a sua trajetória e breve história. Eusébio, muito cordial, ficou batendo papo com a gente por alguns minutos até a saída dos jogadores do Benfica. Depois de ficar hipnotizado com a figura de Eusébio, peguei o autógrafo do Preud'homme e de outros jogadores do Benfica (incluindo Mozer, zagueiro brasileiro, que ainda jogava no time português). 
Nesse dia, descobri quem era Eusébio, e que os craques do passado são tão ou mais importantes que os atuais.

Seu último desejo, conforme imprensa portuguesa, é que o seu caixão dê a última volta no Estádio da Luz, em Lisboa. Pedido justo para quem tanto ganhou campeonatos neste estádio. Será uma bela homenagem!

Seguem mais fontes de informação sobre o craque no wikipédia e website oficial da FIFA: