Queridos boleiros, após dois dias
de digestão, estou aqui para falar da derrota acachapante e histórica por 7 x 1
sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha, na semifinal da Copa 2014.
Conversei com meu
pai, meu irmão, meus amigos, li muitos blogs e colunas de jornalistas. Todos
comentando, falando, refletindo sobre o futebol brasileiro. Quem gosta desse
esporte, deve fazer isso mesmo. É duro aceitar essa derrota e não ficar
indignado, ainda mais da maneira como ela foi, humilhante.
Primeiro, falarei
sobre o grupo da seleção, seu técnico, e o conceito de jogo desse time.
Sobre o campo,
tenho alguns comentários.
Muito se falou, e
concordo com quase 99% do que estão falando os comentaristas esportivos. A
tática (ou falta dela) suicida que o Felipão adotou contra a Alemanha,
determinou essa vexatória derrota.
Mas, quero
salientar que esse foi o último ato errôneo e de desespero de Felipão.
Ele é ruim faz
muito tempo. Na verdade, nunca foi bom. Acho que somente os gremistas, por
ufanismo e conceitos caudilhistas, gostam dele. Ele é ultrapassado desde que se
lançou no futebol com o Criciúma. Com todo o respeito, não deveria ter deixado
a profissão de professor de educação física. A entrevista coletiva dele após a
derrota para Alemanha, foi digna de treinador da extinta Copa Danup (torneio
colegial entre escolas paulistanas). Beirou o amadorismo.
No futebol, um
time deve ter um conceito de jogo. Alguns times, menos privilegiados de
técnica, tem conceitos defensivos, mas o fazem muito bem. Outros, se retraem e
saem em contra ataque. Cada um faz o que supostamente há de melhor,
aproveitando as melhores características de seus jogadores. Isso não é novidade
pra ninguém.
Felipão errou ao
adotar um time com o conceito da intensidade. Esse mesmo time que tomou 7 gols
da Alemanha, jogou com intensidade ao ganhar da Espanha na medíocre Copa das
Confederações, competição que os europeus jogam quando estão de férias, e dão
pouquíssima importância. Aquela vitória o cegou. Comentei aquele jogo aqui no
blog, e acho que eu mesmo superestimei esse time. A pior geração depois do time
de 1990, do lunático e desprezível Lazaroni.
A convocação,
apesar de poucas opções, já que vivemos uma escassez de bons talentos, foi
baseada em jogadores com essa tal intensidade (odeio essa palavra no futebol).
Ou seja, jogadores com técnica razoável, mas que correm com a bola. Não pensam
o jogo. Pegam a bola e correm. Quantas viradas de jogo você viu o time
brasileiro na Copa inteira? A jogada começava na direita e terminava na
direita. Isso é ridículo. Jogo de criança da categoria "fraldinha".
Deu no que deu. No
momento em que tomamos sufoco até de Camarões, não haviam opções para mudar
esse conceito. O único, e não utilizado, com características um pouco
distintas, pois pensa mais, é Hernanes. Outro bom jogador, mas que sofreu
lavagem cerebral, foi Oscar. Oscar virou marcador de laterais de times
adversários. Fantástico isso, não?
E outro ponto
crucial que Felipão errou bisonhamente. Acreditou que laterais horrorosos como
os nossos, fossem decidir jogos. Eu já havia comentado isso no post anterior.
Esses caras (laterais) acabaram com o time, já que jogadores de meio-campo
tinham que sofrer e marcar, pois os nossos monumentais laterais tinham que
jogar mais "soltos". Desde quando lateral decidi jogo? Lateral é
apenas uma válvula de escape, uma ferramenta para chegar pelos lados. Claro que
são importantes, mas não tão importantes como os meio campistas. Esses, Felipão
pouco liga. Pergunte ao craque Alex (Coritiba, Palmeiras e Fenerbahce) o que
ele acha de Felipão?
Aliás, Felipão faz
questão de mudar a característica deles, como mudou Oscar, ao invés de adaptar
o time para aproveitar o talento de um bom meio campista. O erro de Oscar foi ter
aceitado.
Ao contrário de
tudo isso, os alemães passearam pelo meio de campo, tomaram conta, com técnica,
tática, habilidade, força mental e física.
O que eles fizeram
demais?
Apenas, uma
belíssima preparação, tiveram foco, e estão jogando o futebol simples. Para
alguns mecânico.
Como eu disse em
meu primeiro post do Essência, eles adotaram o magnífico e simples conceito do
"vermelho e preto, toca para o vermelho e preto". E assim chegaram 12
ou 13 vezes em nossa área, do jeito que queriam, fazendo 7 gols. Dizem até que
no segundo tempo eles pararam para não ficar pior para a seleção canarinha.
Por que queremos
complicar o que é simples?
Pergunte aos
nossos queridos técnicos de futebol, que dentro de campo estão acabando com o
nosso futebol faz 10 anos ou mais. Todos iguais. Alguns apenas mais simpáticos
que Felipão, o que não é difícil.
Segue link da ESPN
(disparada a melhor cobertura jornalistica da Copa) chamado "o fim do sonho do
hexa".
Ajuda a refletir e relembrar porque chegamos ao ponto que chegamos.
Fora de campo
somos ainda mais lamentáveis.
Pouco falarei
sobre a parte política do nosso futebol. Falarei pouco, pois colocarei um link
com o desabafo de Romário sobre quem manda no nosso futebol.
Como ele mesmo diz
e eu ratifico, a explicação toda não está nos nossos jogadores que são apenas o
fim da linha, mas está nos bandidos e corruptos que tomam conta do futebol
brasileiro.
São eles:
dirigentes da CBF, presidentes e diretores de clubes e empresários de futebol
(não todos, mas a maioria).
A mudança é
possível, mas, será difícil. A quem interessa essa mudança?
Até antes dos 7 x
1, a ninguém.
Agora, esperamos
que mídia, jornalistas, ex-jogadores, possam criar clima favorável a mudança. E
que leis e regras sejam impostas à CBF e clubes. Essas entidades precisam virar
empresas. Precisam pagar impostos, como qualquer pequena empresa paga. Precisam
ser rastreadas. Hoje, o futebol é sujo pois todos querem assim. Do presidente
da república ao diretor e empresário de futebol. Todos não estão de graça nessa
estória.
Segue link com o
desabafo de Romário.
Carlão, uma pena que tenha sido educado, eu endosso e concordo com tudo o que foi dito, abs
ResponderExcluirCarlão,
ResponderExcluirConcordo com tudo o que disse. Encontrei com o seu pai ontem e já conversei sobre o vexame que fui ver ao vivo e in loco.
Com certeza a arrogância e "cegueira" de Felipão e Parreira nos levaram a maior humilhação da história do nosso futebol.
Vi na ESPN (a qual também penso ser a melhor emissora no quesito comentários e jornalismo, seguida da FOX) que nos relatórios sobre o jogo contra a seleção alemã, tanto Roque Junior quanto Alexandre Galo sugeriram povoar o meio de campo com Paulinho, Luis Gustavo e Fernandinho e quem sabe até tirar o Fred, para escalar o Willian.
Antes do jogo, analisando com amigos, estava certo de que jogar com 3 volantes era a melhor opção, e que seria a tática escolhida pela comissão técnica.
Desta maneira, teríamos uma chance, assim como Gana e Argélia tiveram, de ganhar da fortíssima Alemanha. Se perdêssemos, perderíamos de pouco, e a missão estaria cumprida, afinal não tínhamos mais o nosso melhor jogador.
Ou seja, ao invés de aceitar antes do jogo, que a Alemanha era um time muito superior e que a chance de ganharmos era jogar com muita marcação no meio de campo e esperando a oportunidade de contra atacar, a prepotência da comissão técnica fez justamente o oposto. E assim como Portugal que já havia sido goleado pela Alemanha, quis jogar de igual para igual com a mesma.
Esse pra mim é o fator preponderante para não conseguirmos produzir um futebol melhor. Falta humildade para o brasileiro admitir que já não jogamos o melhor futebol há muito tempo. Falta humildade para admitir que não temos um técnico brasileiro capaz de treinar a seleção para jogar da forma como os grandes times e seleções vem jogando. Futebol compacto, com controle e posse de bola, sem a necessidade de um grandalhão lá na frente.
Por isso é que penso ser este o momento de mudanças. Para tanto necessitamos ter a humildade de aceitarmos um treinador estrangeiro e que possa fazer o Brasil novamente jogar um futebol moderno e competitivo, pois nenhum dos ditos "professores" brasileiros, apresentam muita diferença para o futebol do Felipão (vide Muricy e Tite que apesar de campeoníssimos, tem fama de retranqueiros e tem o sucesso associado a um único esquema).
Abraços,